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Revolução do 5G no país passa por Santa Rita do Sapucaí

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Revolução do 5G no país passa por Santa Rita do SapucaíPesquisas e o desenvolvimento de tecnologias que vão transformar a indústria e as relações entre consumidores e máquinas já estão sendo testadas a todo vapor no Vale do Silício mineiro.


Santa Rita do Sapucaí - Se você está com problemas para acessar a internet e tem reclamado da velocidade com que seu aparelho navega na web, não há muito o que fazer de imediato, mas saiba que esse cenário mudará em breve. A previsão dos especialistas é que dentro de três a quatro anos os usuários dos grandes centros no país começarão a ter acesso à tecnologia 5G

Segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o leilão da frequência está previsto para ocorrer em março de 2020, porém, pode ser que ocorra algum atraso. Apesar disso, em Minas, as pesquisas e o desenvolvimento das redes com a nova velocidade estão a todo vapor, ou melhor, a jato. No Vale da Eletrônica, em Santa Rita do Sapucaí, Sul do estado, pesquisas e o desenvolvimento de tecnologias que vão revolucionar a indústria e as relações entre consumidores e máquinas estão sendo testadas e pretendem alterar a forma como as entendemos atualmente.
As pesquisas em 5G pelo mundo mostram três linhas de atuação em que as redes estão preocupadas em ser eficientes. A primeira delas é alta vazão dos dados ou, simplificando, aumentar a velocidade com que os dados são trafegados pela rede. A atual rede 4G, em funcionamento no país, garante velocidade que pode alcançar até 1Gbps (gibabites por segundo) nos locais com rede mais avançada. 

Já o 5G tem velocidade cerca de 10 vezes mais ágil, podendo trafegar dados a 10Gbps. Os estudos ainda concentram esforços para garantir a chamada baixa latência ou instantaneidade nas comunicações. Há, ainda, a atenção para a interface que deve causar as principais mudanças no cotidiano, a internet das coisas (IoT).
Se esses três problemas são o foco dos desenvolvedores no mundo, em Minas, um quarto cenário – o longo alcance – está tomando a dianteira nas pesquisas. O desafio dos pesquisadores no Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel) é garantir a alta velocidade em longas distâncias das estações radiobases (ERBs) – popularmente conhecidas como torres de celular –, para até 50 quilômetros. Com a 4G é necessária uma antena a cada 10 ou 15 quilômetros.
De acordo com o coordenador de tecnologia do Centro de Referência em Radiocomunicação do Inatel, Henry Douglas, a redução de antenas permite que pessoas em locais menos habitados ou no campo tenham acesso também às altas velocidades. “Além do impacto social, no caso do Brasil, ainda tem o impacto do agronegócio. Hoje, existe uma demanda muito grande para as fazendas e as máquinas agrícolas estarem conectadas, o que resulta em ganho de produtividade”, afirma. Ainda de acordo com ele, nos primeiros testes foi possível ter ganhos na vazão e no alcance.
Revolução do 5G no país passa por Santa Rita do SapucaíEm um dos experimentos feitos no Laboratório de Tecnologias da Informação e Comunicações do Inatel, os pesquisadores montaram uma horta em uma escola, que está a 10 quilômetros, e, por meio de sensores, conseguem monitorar umidade e a necessidade de irrigar as plantas. Todos os comandos podem ser acionados via aplicativo para que a tarefa seja realizada. Esse tipo de situação, a partir de chegada do 5G, será cada vez mais comum e pode trazer uma revolução para o campo, como esperam os especialistas ouvidos pela reportagem.
Outra possibilidade será criar ambientes totalmente personalizados. Temperatura, umidade e luminosidade dos ambientes podem passar a ser controladas com o uso da inteligência artificial geral, que vai criar uma espécie de memória de escolhas feitas pelo usuário e, a partir do reconhecimento, aplicará todas as escolhas ao local, tornando o ambiente mais adaptado ao gosto de quem estiver utilizando os espaços.
O impacto dessas inovações trará novas fronteiras e desafios a serem entendidos por empresas, pessoas e os que pensam os espaços públicos. Para o professor adjunto, pesquisador e coordenador do Laboratório de Tecnologias da Informação e Comunicações do Inatel, Antonio Marcos Alberti, já na próxima década essas fronteiras, inclusive sociais, deverão ser pautas das discussões. “Teremos o estudo dos impactos de tecnologia para as pessoas, cidades, países e comunidade como um todo. Para as pessoas, teremos assistentes biológicos com impacto no futuro do trabalho, na vida das pessoas”, afirma.

CIDADE INTELIGENTE 

Vale da Eletrônica, em Santa Rita do Sapucaí, também está sendo usado como experimento para um projeto-piloto que vai conectar a cidade. A iniciativa prevê a implantação de soluções inteligentes para iluminação, segurança e rastreamento de veículos, dentro do contexto de internet das coisas. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) vai financiar o Inatel para a execução, que será conduzida em parceria com a prefeitura da cidade, com as empresas Ericsson e TIM, e com as startups Pixel, Das Coisas, Fractum e Laager Inovações.

Por meio dos postes da cidade serão desenvolvidas soluções inteligentes para a área de segurança pública, iluminação e, além disso, as startups ainda poderão testar soluções a serem implementadas. Segundo Fred Trindade, especialista em negócios do Inatel, uma das soluções, por exemplo, é aumentar a intensidade da iluminação pública em locais em que se identifique a possibilidade de um furto ou roubo. “Com o aumento da luminosidade, a pessoa pode pensar que está sendo observada e acabar indo embora”, acredita.

REFERÊNCIA 

O polo eletrônico de Santa Rita do Sapucaí – comparado ao Vale do Silício, na Califórnia (EUA), por ter surgido na mesma época e por abrigar pulsante produção de inovações – tem expressão mundial e está por trás de inovações, como o desenvolvimento do padrão brasileiro de TV Digital, toda a elaboração e confecção das urnas eletrônicas e, agora, atua fortemente no desenvolvimento da tecnologia 5G.
Atualmente, no Vale da Eletrônica, o Arranjo Produtivo Local (APL) – aglomeração de empresas localizadas em um mesmo território, que apresentam especialização produtiva e mantêm vínculos de articulação, interação, cooperação e aprendizagem entre si e com outros atores locais –, há 153 indústrias de tecnologia que geram 14.700 empregos e com confecção de cerca de 14.500 produtos. O faturamento em 2018 foi de R$ 3,2 bilhões.
Segundo o Sindicato das Indústrias de Aparelhos Elétricos, Eletrônicos e Similares do Vale da Eletrônica (Sindvel), para os próximos 18 meses, a expectativa é que, só em novos negócios as indústrias faturem cerca de R$ 1 bilhão. Outros dados do Sindvel mostram que o investimento em pesquisa feito pelas indústrias, mesmo durante a crise, alcançou o montante de R$ 300 milhões por ano, em média.



Um blog sobre: Famosos, política e economia

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