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Vanessa da Mata diz que voltou à infância nesta quarentena

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Vanessa da Mata diz que voltou à infância nesta quarentena


Vanessa da Mata não deixou de levar alegrias durante a pandemia do novo coronavírus. 


A cantora vem disponibilizando em todas as plataformas digitais o projeto Nossos Beijos Ao Vivo No Circo Voador, originalmente gravado em janeiro deste ano na Lapa, no Rio de Janeiro. Com uma energia e originalidade imensas, o show no Circo Voador apresenta Quando Deixamos Nossos Beijos na Esquina, o sétimo álbum de estúdio da artista e um dos mais aclamados da carreira. 

          
Em entrevista  Vanessa contou como foi trabalhar com Baco Exu do Blues na faixa Tenha Dó de Mim, que já está disponível no YouTube e nos demais aplicativos de música.
- O Baco Exu é um menino com uma música notável, com força inserida, protestos e ataques necessários, no sentido de esclarecimento. E eu acho notável como ele faz as músicas de um jeito jovem, esperto, simples, entendível. E ao mesmo tempo é uma nova maneira de fazer música, com os protestos, o que há um tempo atrás era com o rock n' roll, e o rap está fazendo isso muito bem. Eu estava em um estúdio já gravando as últimas músicas e aí, através de um amigo [Alexandre Schiavo] eu conheci o Baco Exu, e o Alexandre levou o Baco até o estúdio, ele ouviu a música, fez rapidamente a letra - como é também de costume meu, então achei o máximo -, já entrou para gravar e assim surgiu. Bem do jeito que tem que ser, sem burocracias.

A cantora também retomou a sua parceria com Davi Morais no single.

- É sempre uma delícia ter o Davi Morais, porque ele tem uma mão percussiva. Ele age com uma esperteza, uma mão direita de Bahia, ao mesmo tempo, já modernizada. Ele tocou comigo muito anos, e desde lá, era sempre satisfatório. Tudo que ele fazia, ele fazia com uma grande pegada de guitarra, com swing, com as harmonias certas, trazendo vigor para a música. Tanto que ele trouxe a sofisticação baiana para Tenha Dó De Mim, que poucos sabem tocar. Essa rapidez percussiva dele..., elogiou.

Outra canção que foi lançada nos serviços de streaming de música foi Nossa Geração, a qual Vanessa define como premonitória.
- Infelizmente essa música disse muitas coisas. As queimadas, o afastamento das pessoas, esse crível moral das igrejas cada vez mais forte, lançando sob os jovens a coisa de não se tocar porque não é puro; ao contrário, o carinho é necessário cada vez mais. Enfim, tem muitas notas nesse sentindo indo contra, e cada vez mais nos afastando uns dos outros. Fomentando o que dá grana, que existe um tipo só de família, que é daquele tipo que tem que ser.
Mas a previsão de artista para o próximo ano também não é muito positiva.
- Eu gostaria muito que 2021 fosse um ano que voltasse à normalizar tudo. Normatização, reedição da gente. De maneira mais eficaz, mais de acordo com o meio ambiente, mais atentamente a sobrevivências e conscientes conosco, com o que é para nos deixar mais equilibrados. Sinceramente, eu tenho muito medo de 2021. Espero que a natureza dê outros sinais. Mas realmente, não sei o que pensar, nem o que dizer. Prefiro não falar.

Vanessa também admitiu que teve um sentimento constante durante a pandemia: o medo.

- O mais difícil foi ficar longe dos palcos, longe das pessoas. Ver muita gente adoecendo, ver as pessoas que estão por perto morrendo. O medo dos mais velhos pegarem... Acho que o medo foi o que aterrorizou as pessoas em vários sentidos. Medo de perder o emprego, medo de não ter comida, medo de não ter espaço, de não saber quando tudo voltaria ao normal. E até hoje a gente vive esse medo.

Mesmo assim, ela é grata pelo tempo que passou com a família em Alto Garças, no Mato Grosso. 

- O que me fez sair disso positivamente foi, apesar de tudo, voltar à minha cidade, ficar com a minha mãe, com os meus filhos. Nós ficamos lá mais de seis meses, então foi muito educativo para mim. Me restabeleceu, me conduziu para uma relação deliciosa com a minha mãe, que eu já não tinha há muito tempo. Eu ia muito rápido, ficava 15, 20 dias e ia embora, na época do Natal, do verão. E isso foi quase como uma sensação de voltar à infância com ela não trabalhando, e uma cuidando da outra. Então foi muito bom. Os filhos estão bem em paz. Saindo da adolescência, o que foi delicioso... Eu não conseguiria imaginar as pessoas com filhos adolescentes dentro de um apartamento ou dentro de uma casa pequena. Deve ser muito ruim, analisa.

A possibilidade de se reinventar artisticamente é o que move Vanessa.
- Pela pluralidade, eu tenho vários desejos. Eu gostaria de fazer discos de vários gêneros musicais, participar com pessoas de outros lugares do mundo, fazer um disco de coparticipação na Europa... Adoraria ter essa possibilidade de viver uma experiência completamente diferente na minha carreira. É sempre revigorante, porque a gente está acostumado com uma coisa, de repente vem outra, como foi o disco de Tom Jobim. Eu adoro, quando vale a pena... Acho que isso até fortalece a retomada da carreira depois.

Por fim, a cantora falou sobre duas de suas músicas mais famosas: Ai, ai, ai... e Boa Sorte, que até hoje fazem o maior sucesso.

- É impressionante. Eu acabo de receber uma autorização de um dos maiores DJ's da atualidade para fazer um remix de Ai, ai, ai... e Boa Sorte. Eu acho incrível que elas tenham essa vida longa, enorme, e atemporais. E são [pessoas] da minha geração a meninos de 12 anos cantando essas duas músicas como se não houvesse amanhã, dançando o tempo todo... E elas fazem parte da alegria de uma noitada boa até um domingo tranquilo. Eu gosto muito de saber que eu participei intensamente desde a criação delas. E acho que elas vão ficar por muitos anos. Elas são diretas, têm imagens bonitas, arranjos bons, e são para cima, felizes.

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