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Alessandro Vieira entra com representação contra senador por informações falsas na CPI

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Alessandro Vieira entra com representação contra senador por  informações falsas na CPI
 
O senador Alessandro Vieira (Cidadania-SE) entrou nesta terça-feira com representação no Conselho de Ética contra Luis Carlos Heinze (PP-RS) por trazer "informações falsas" à CPI da Covid. Heinze é defensor da cloroquina e de outros remédios do chamado tratamento precoce, cuja ineficácia já foi comprovada, e já trouxe dados enganosos e falsos à comissão parlamentar de inquérito.

— Considerando o contexto que a gente vem vivendo na CPI, com reiteradas tentativas de desinformação, a repetição, apesar dos alertas feitos pela mesa e por colegas de que documentos e dados que não correspondem à verdade estão sendo reiteradamente apresentados, eu informo à comissão que estou apresentando uma representação no Conselho de Ética, em face do colega Heinze, amigo pessoal, pessoa de que eu gosto muito, mas que está prestando um desserviço ao repetidamente trazer informações falsas. A CPI e o Senado não podem se prestar a isso — anunciou Alessandro.

Heinze é um dos senadores governistas que faz parte da CPI. Na comissão, em diversos momentos o parlamentar já citou deturpados de um estudo sobre o impacto de altas doses cloroquina feito em Manaus. A pesquisa, feita em março do ano passado, foi suspensa após a morte de 22 pacientes analisados. No entanto, conforme o próprio estudo concluiu, nenhuma morte estava ligada diretamente ao uso da droga — diferentemente do que afirma Heinze.

O anúncio de Vieira causou a reação de Heinze:

— As minhas informações não são falsas. Pode entrar com representação, sem problema nenhum

O senador também já disse que um estudo publicado pela revista The Lancet que associava o uso da hidroxicloroquina à maior mortalidade de pacientes com coronavírus é "fraudulento" e que foi feito por uma empresa cuja gerente é uma "atriz pornô". Essa é uma fake news que circulou entre bolsonaristas recentemente. No texto falso, uma foto da ex-atriz pornô Mia Khalifa é creditada como se fosse de uma médica infectologista brasileira chamada Marcela Pereira e que estaria "conduzindo um estudo em larga escala do uso da cloroquina no tratamento da Covid-19 com resultados muito animadores", o que é mentira.

Na sessão da CPI, Heinze disse haver estudos mostrando a eficácia do tratamento precoce da Covid-19.

— Existem, hoje, dez estudos randomizados que acolhem esse procedimento e centenas de estudos hoje acolhendo também positivamente. Então, esse ponto é importante que a Conitec [Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS], que não seja política, muita gente de esquerda, e esse pessoal está dentro das universidades e comitês científicos, que tenha um procedimento técnico, respeitável, para que nós possamos fazer a vacina, sim, mas também não desqualificar o tratamento precoce — disse Heinze, acrescentando: Nós não podemos desqualificar centenas e milhares de médicos brasileiros que adotaram esse procedimento.

Na representação, Vieira diz que Heinze "tem utilizado de forma indevida" seu espaço na CPI, "para divulgar informações falsas, manipulando dados e fatos a fim de defender suas crenças ideológicas". Ainda segundo o texto, "o processo de desinformação desencadeado" pelo senador "tem implicações nefastas diante da grande repercussão da CPI no país".

Entre as informações falaciosas repassadas por Heinze na CPI, a representação aponta: "divulgação de supostos estudos científicos recomendando o tratamento precoce contra a Covid-19" e "exposição de estudos desatualizados, incompletos e metodologicamente contraditórios fazendo crer que existe qualquer evidência científica favorável ao uso da cloroquina e outros tratamentos precoces". O documento também menciona que o governista cita "protolocos internacionais sobre o uso da cloroquina", mas ignora que países como França e Itália também proíbem o uso do medicamento e a Bélgica alerta contra a droga.

"O desserviço prestado pelo senador durante suas falas, aproveitando-se da prerrogativa de sua posição política para disseminar desinformação, tem o potencial de aumentar a crise de saúde pública no país", diz o texto. "As intervenções do senador Heinze na Comissão não foram realizadas para emissão de meras opiniões políticas, mas sim para fazer circular nocivas e reiteradas desinformações, colocando em risco a saúde da população brasileira".



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