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Pacheco se filia ao PSD e pode ser candidato à Presidência

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Pacheco se filia ao PSD e pode ser candidato à  Presidência

O presidente do Senado e do Congresso Nacional, Rodrigo Pacheco, se filiou ontem ao Partido Social Democrático (PSD). A oficialização do ingresso do senador nas fileiras pessedistas ocorreu em Brasília, no Memorial JK, monumento em homenagem ao ex-presidente Juscelino Kubitschek. 

Considerado candidato ao Palácio do Planalto em 2022 por seus novos correligionários, Pacheco tem pregado cautela e prometido tratar do assunto no tempo certo. No primeiro discurso pela nova legenda, porém, o parlamentar falou como postulante à Presidência da República e prometeu contribuir para resgatar a “autoestima” do Brasil. Também houve pedido de diálogo em busca de soluções para desigualdades e outros problemas do país. Agora, o PSD passará a ter toda a bancada mineira no Senado: além de Pacheco, Antonio Anastasia e Carlos Viana.

A chegada do congressista ao PSD foi precedida por meses de suspense. A filiação era desejo de Gilberto Kassab, presidente nacional do partido. Segundo Pacheco, sua nova casa está “madura” e tem planos para o país. “Quero contribuir para que o Brasil recupere a sua autoestima e a sua paz, que voltemos a sorrir, ter esperança e felicidade para ser o país que queremos e merecemos”, disse. “Não podemos tolerar que um país com base agrícola e pecuária tenha o cidadão passando fome e buscando comida no lixo. Portanto, já passou da hora de voltarmos ao diálogo, retomar o equilíbrio e a paz”, falou, ao mencionar “as mazelas que assolam a nação”, completou.

Pacheco subiu ao palco do evento sob o som do hino de Minas Gerais. Kassab o apresentou como o nome do PSD para 2022. “Ele não vai aqui evidenciar, até porque vai fazer uma reflexão, mas, em off, reservadamente, Rodrigo Pacheco vai ser nosso candidato a presidente do Brasil”, sentenciou o dirigente, arrancando risadas e aplausos da plateia.

A filiação foi prestigiada por pessedistas de diversas partes do país. De Minas Gerais, partiu o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil. Componentes de outras legendas também marcaram presença. Estiveram no evento os deputados federais mineiros André Janones (Avante), Paulo Abi-Ackel (PSDB) e Igor Timo (Podemos). A Assembleia Legislativa enviou comitiva liderada pelo presidente do Parlamento mineiro, Agostinho Patrus (PV).

Pelo Senado, estiveram Eliziane Gama (Cidadania-MA) e Davi Alcolumbre (DEM-AP). O presidente da CPI da COVID-19, Omar Aziz (PSD-MA), compareceu ao lado do correligionário Otto Alencar (BA). Pela ala pessedista de Minas Gerais, bateram ponto representantes como o deputado federal Diego Andrade e o estadual Cássio Soares.

A inspiração em JK, visível na escolha do local da solenidade e presente no discurso de lideranças do PSD desde o último dia 22, quando Pacheco anunciou a troca de partido, também apareceu no discurso do senador. “O Brasil precisa dar o exemplo no cumprimento de compromissos, no respeito às leis, aos valores, garantias, direitos previstos na Constituição Federal. Devemos buscar na gestão pública a prevalência do bom senso, do equilíbrio, do que é justo. Esses são valores e atitudes de que nós não podemos abrir mão”, afirmou Pacheco.

“É nessa hora que nós, representantes eleitos pelo povo, devemos nos superar, assumir com ainda mais energia e empenho nossas responsabilidades e buscar respostas tão necessárias e urgentes para que a população brasileira volte a acreditar em si mesma, na política e no país”, completou.

PROJETO DE PAÍS

Para Anastasia, Pacheco pode ser um dos condutores do PSD na propagação do projeto de país encampado pela sigla. “Vamos levar a voz do partido a cada rua, a cada cidade, a cada estado e a cada região do Brasil no tempo certo. E queremos, nesta mensagem de esperança, convocar Rodrigo Pacheco para ser o seu arauto, para levantar a bandeira do desenvolvimento, da democracia, da liberdade e da inclusão social. Vamos juntos, o Brasil nos aguarda.”

Outro entusiasta da eventual participação de Pacheco na corrida eleitoral federal é Alexandre Silveira, presidente do PSD em Minas Gerais, secretário-geral do diretório nacional e também suplente do senador Antonio Anastasia. A avaliação é de que o senador tem capacidade de se opor à polarização entre Jair Bolsonaro (sem partido) e Luiz Inácio Lula da Silva. “O que o Brasil precisa é de alguém que represente a discussão efetiva de problemas reais. Pacheco, por sua profundidade intelectual, seu espírito público e liderança demonstrada em tão pouco tempo de vida pública, reúne todas as qualificações”, afirmou ele ao Estado de Minas. Para Silveira, a filiação de Pacheco pode representar contribuição de Minas Gerais à superação da crise nacional.
Carlos Viana também crê que o movimento deixa o estado “disponível” para servir ao Brasil. “Não estamos aqui para dizer que estamos à frente, ou atrás. Não. Minas Gerais quer servir ao Brasil, com nosso trabalho, nossa responsabilidade”, pontuou.

Opções para o governo de Minas

Em Minas, além dos três senadores, são três deputados federais, sete parlamentares estaduais, 79 prefeitos, 66 vice-prefeitos e 696 vereadores. O nome do prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, um dos mandatários municipais, tem, de acordo com o presidente do PSB em Minas, Alexandre Silveira, surgido de forma “natural“ para a disputa ao governo do estado. “Kassab fala uma coisa muito assertiva: tudo que é natural na política tem cheiro de que vai dar certo. A candidatura tem surgido de forma muito natural entre os mineiros. Essa discussão está na rua sem ele colocar de forma explícita que vai ser candidato ou que fez essa escolha.”

O senador Carlos Viana, por seu turno, também se diz à disposição para concorrer ao Palácio Tiradentes – como já mostrou o EM, a troca de partido foi uma das hipóteses levantadas por ele para dar prosseguimento aos planos. Segundo Silveira, levar mais de um nome à mesa de debate sobre os rumos do partido para o pleito estadual não é problema. “Um partido que tem mais de um quadro com condição de se apresentar ao povo de um estado tão importante tem que se orgulhar disso, mas tendo sempre em vista a dimensão da responsabilidade que isso representa.” Mesmo ante as conversas internas que devem ocorrer posteriormente, a direção do PSD mineiro crê na “convergência” dos filiados para a disputa nas urnas.
Segundo o senador Antonio Anastasia, além da apresentação de candidatos aos cargos do Executivo e ao Senado, o PSD almeja montar bancadas “robustas” de deputados estaduais e federais. “Cada vez mais as pessoas, felizmente, compreendem a importância de se eleger um Parlamento forte, com pessoas engajadas, dispostas ao diálogo e à convergência de ideias e projetos em favor dos cidadãos.” 


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