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Deputado bolsonarista apavorado com gravações feitas pelo ex-secretário estadual de Saúde Edmar Santos

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Deputado bolsonarista apavorado com gravações feitas pelo ex-secretário estadual de Saúde Edmar Santos
O governador Wilson Witzel, ao lado dos deputados Rodrigo Amorim (à esquerda)
 e Alexandre Knoploch (à direita) Foto: Luiza Moraes / Agência O Globo

O deputado estadual Rodrigo Amorim (PSL) classificou como “arapongagens” as gravações feitas pelo ex-secretário estadual de Saúde Edmar Santos com vários políticos. 

Segundo Amorim, está ocorrendo "uma tentativa de desestabilização do Parlamento fluminense". A medida foi tomada após Edmar se sentir “fritado” ao vir à tona o escândalo do superfaturamento de contratos da pasta.
Na sexta-feira que Edmar, que firmou um acordo de delação premiada com a Procuradoria Geral da República, registrou essas conversas e guardou o material, que vai usar para se defender da acusação de que comandaria um esquema de desvios de recursos públicos durante a pandemia de coronavírus.
— Eu não posso dar crédito a provas que foram obtidas irregularmente, nem a filmagens, arapongagens. Não dou crédito e valor a arapongagem. No meu caso, nunca tive relação com esse senhor. O que está acontecendo é uma tentativa de desestabilização do Parlamento fluminense. Aprovamos uma série de ações de enfrentamento para a preservação das vidas. Qualquer movimento para desestabilizar o Parlamento é torpe e vil — disse Amorim, que participou, nesta sexta-feira, ao lado do governador Wilson Witzel, da inauguração da nova sede do Batalhão de Rodas Especiais e Controle de Multidões (Recom), na Tijuca, na Zona Norte do Rio.
Também presente ao evento, o deputado Jorge Felippe (PSD) afirmou que está tranquilo com a revelação das gravações:
— A mim não compromete (em nada). Eu nunca conversei nada com o Edmar que não fosse absolutamente tranquilo e republicano. Não posso comentar o que não sei (sobre as supostas gravações) — afirmou o deputado Jorge Fellipe Neto.
Alexandre Knoploch (PSL) afirmou que esteve com Edmar várias vezes para tratar de demandas da população:
— Se o MPF aceitou, eles devem ter motivos. Não posso comentar algo que não sei. Eu estive com Edmar algumas vezes para tratar assuntos de saúde para a população que me pede ajuda — contou.

Agenda intensa com deputados

Também na manhã desta sexta, a menos de 6 quilômetros de distância do evento liderado por Witzel, o prefeito Marcello Crivella e o presidente Jair Bolsonaro estiveram juntos na abertura de uma escola cívico militar, no bairro do Rocha. Segundo fontes ligadas ao Palácio Guanabara, para evitar o afastamento do cargo, o governador intensificou encontros com deputados estaduais, principalmente aqueles que são da base do presidente e do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos). Witzel é alvo de um processo de impeachment em curso na Assembleia Legislativa, que apura supostas irregularidades em contratações durante o estado de emergência da pandemia do novo coronavírus.

'Pede, deputado'

Por isso, para o evento da PM, Witzel convidou Alexandre Knoploch e Rodrigo Amorim. Ambos são candidatos à prefeitura do Rio e aliados do Palácio do Planalto. Witzel fez questão de abraçar os dois deputados e chegou a dizer a Amorim que ele poderia pedir o que quisesse:
— Pede, deputado. O que você quer? Pode pedir que eu dou — disse Witzel. No palco, também estiveram o deputado federal Gurgel (PSL), presidente estadual do partido, e Jorge Felippe Neto.
Amorim, no entanto, ao deixar a unidade policial, disse em voz alta que o governador achava que estava "voando alto em popularidade". A assessoria de imprensa do parlamentar esclarece que ele fez a afirmação em tom de ironia, após ter um pequeno desentendimento com a equipe do ceriominal.
— Vou ir embora desse lugar. Na hora do impeachment, vai procurar - afirmou Amorim.
Em seu discurso, Witzel disse que está fazendo "o melhor governo do estado do Rio”:
— O nosso governo, quem não acreditou nele, está decepcionado. Nós estamos fazendo o melhor governo do estado do Rio — afirmou.
No discurso, não houve menção à delação de Edmar Santos nem ao processo de impeachment. Indagado por repórteres sobre a situação de seu governo, Witzel se recusou a responder.

Afagos em políticos

Em levantamento feito pelo GLOBO com os últimos eventos recentes de Witzel, há a participação em várias cerimônias sempre ao lado de deputados ligados a Bolsonaro. Enfraquecido politicamente em razão de denúncias o governador estaria fazendo afagos nesses políticos para que eles votem contra seu afastamento na Alerj, revelaram fontes do Palácio Guanabara.
Na segunda-feira, dia 10, o governador esteve em Itaboraí, na Região Metropolitana do Rio, onde inaugurou o Hospital São Judas Tadeu. Ao seu lado estavam os deputados estaduais Anderson Alexandre (Solidariedade) e Coronel Salema (PSD). Salema é bolsonarista de primeira linha e já vivenciou rusgas com Witzel.
No dia seguinte, o governador esteve no início de operação do Segurança Presente Magé, com os deputados estaduais Vandro Família (Solidariedade) e Renato Cozzolino (PP).
Já na quarta-feira, Witzel esteve no Quartel Central do Corpo de Bombeiros, no Centro do Rio, onde entregou uma frota de ambulâncias para 14 municípios.No evento, foram o deputado federal Luiz Antônio Corrêa (PL) e o deputado estadual Anderson Alexandre (SD).
Na tarde de ontem, o governador foi a uma escola aberta em Maricá, onde se encontrou com o prefeito Fabiano Horta (PT) e políticos do Partido dos Trabalhadores.

Longe da imprensa

Desde que teve início o processo de impeachment , a estratégia é que Witzel participe de eventos a portas fechadas, sem contato com a imprensa. Os itens da agenda oficial do governador não têm sido divulgados. Nesta sexta-feira, segundo pessoas ligadas aos deputados Knoploch e Amorim, os parlamentares queriam que a agenda de hoje fosse pública, mas não conseguiram.
A Polícia Militar não convidou jornalistas para a inauguração do novo batalhão, com a justificativa de evitar a propagação do novo coronavírus. De acordo com a corporação, “diante do momento difícil que estamos enfrentando, em virtude da pandemia causada pelo novo coronavírus, a solenidade não poderia ser aberta à imprensa e ao público”.


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