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Servidores da prefeitura que impediam trabalho da imprensa prestam depoimento

Servidores da prefeitura que impediam trabalho da imprensa prestam depoimento

Homem conhecido como ML foi levado para a delegacia para prestar esclarecimentos — Foto: Reprodução/ TV Globo
Homem conhecido como ML foi levado para a delegacia para
prestar esclarecimentos — Foto: Reprodução/ TV Globo

Suposto organizador dos 'Guardiões' recebeu aumento e salário foi a R$ 18 mil


Marcos Paulo de Oliveira Luciano, o ML, aparece em grupos de WhatsApp dando ordens a outros assessores. Polícia apreendeu cerca de R$ 10 mil em sua residência.

O homem apontado como chefe do rede de funcionários da prefeitura mobilizados para atrapalhar o trabalho da imprensa recebeu um aumento e passou a receber R$ 18 mil de salário em agosto.


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Marcos Paulo de Oliveira Luciano, o ML, é assessor especial do gabinete do prefeito desde 2017 e ganhava em julho R$ 10,5 mil. Ele aparece em grupos de WhatsApp dando ordens a outros assessores, no grupo "Guardiões do Crivella".

"Marquem durinho aí, hein. Não dá mole pra eles não", diz ML em uma conversa.

A Polícia Civil do RJ deflagrou nesta terça-feira (1º) a Operação Freedom contra o esquema. Quatro pessoas foram ouvidas.

Além de ML, também foram ouvidos:

Luiz Carlos Joaquim da Silva, o Dentinho - contratado em dezembo de 2019 e com salário de R$ 4195;
Daniela Rocha Pinto de Jesus - ela aparece numa das fotos em frente ao Hospital Evandro Freire, na Ilha do Governador;
José Robério Vicente Adelino – ele apareceu na segunda-feira (31) em uma reportagem do RJ2 tentando impedir uma entrevista no Hospital Salgao Filho, no Méier.

“Vão prestar depoimento, caso queiram, na condição já de indiciados porque já há indícios suficientes da prática desse crime. O que agora a Draco vai fazer é aprofundar essas investigações pra que a gente possa saber a autoria, materialidade de escritório, ou seja, quem mandou determinou que esses crimes fossem praticados” disse o delegado William Pena Júnior, da Delegacia de Repressão as Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco-IE).

Ao todo, foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão em endereços ligados a funcionários do esquema, exposto nesta segunda-feira (31) pela TV Globo. Não houve mandados de prisão.

Também nesta terça, o Ministério Público do Rio abriu um inquérito para investigar o caso e pediu esclarecimentos ao prefeito sobre o caso. Já o presidente da Câmara de Vereadores do Rio, Jorge Felippe (DEM), decidiu levar ao plenário na quinta-feira (3) o pedido para abrir o processo de impeachment contra o prefeito.

Homem conhecido como ML foi levado para a delegacia para prestar esclarecimentos — Foto: Reprodução/ TV Globo
Homem conhecido como ML foi levado para a delegacia para prestar esclarecimentos — Foto: Reprodução/ TV Globo

Com Marcos Paulo, agentes da Draco-IE apreenderam notebooks, celular, dinheiro, cheques, contratos e um pacote escrito "Crivella". Ao todo, a corporação apreendeu cerca de R$ 10 mil no local.

Polícia apreende cerca de R$ 10 mil em casa de assessor apontado como chefe do esquema ''Guardiões do Crivella' — Foto: Divulgação/PCERJ
Polícia apreende cerca de R$ 10 mil em casa de assessor apontado como chefe do esquema ''Guardiões do Crivella' — Foto: Divulgação/PCERJ


O G1 apurou que o inquérito aberto na Draco-IE investiga os "guardiões" pelos crimes de associação criminosa e atentado contra a segurança ou o funcionamento de serviços de utilidade pública.

"Não é preciso muita divagação teórica para demonstrar que o serviço da imprensa -- goste ou não -- constitui efetivo papel de utilidade pública", diz o inquérito.
Também há a suspeita de peculato -- crime praticado por funcionário público contra a administração.

Marcelo Crivella e homem conhecido como ML — Foto: Reprodução/ TV Globo
Marcelo Crivella e homem conhecido como ML — Foto: Reprodução/ TV Globo

"O próximo passo é ouvir a chefia de gabinete do prefeito", explicou o delegado Willian Pena Junior. "Se no decorrer da investigação surgir algum indício de cometimento de crime por parte do prefeito, isso será enviado para o Ciaf e para o Gaocrim", emendou.

O Ciaf é a Coordenadoria de Investigação de Agentes com Foro da Polícia Civil. 

O Gaocrim é o Grupo de Atuação Originária Criminal do MPRJ.

Pena Junior afirmou ainda que alguns dos mandados não foram cumpridos por causa das restrições impostas pelo Supremo.

Policiais apreenderam computadores e papéis que possam ajudar nas investigações sobre suposto esquema formado por funcionários públicos para atrapalhar o trabalho da imprensa — Foto: Reprodução/ TV Globo
Policiais apreenderam computadores e papéis que possam ajudar nas investigações sobre suposto esquema formado por funcionários públicos para atrapalhar o trabalho da imprensa — Foto: Reprodução/ TV Globo

Como funcionava

por grupos de Whatsapp, funcionários comissionados são distribuídos por unidades de saúde municipais para fazer uma espécie de plantão;
em duplas, eles tentam impedir reportagens com denúncias sobre a situação da saúde pública e intimidar cidadãos para que não falem mal da prefeitura;
após serem escalados, eles postam selfies para dizer que chegaram às unidades;
um dos funcionários aparece em várias fotos ao lado de Crivella e tem salário de R$ 18 mil;
quando conseguem atrapalhar reportagens, eles comemoram nos grupos;
a prefeitura não nega a criação dos grupos e diz que faz isso para "melhor informar a população".
Um dos números do grupo aparece registrado como sendo do próprio prefeito, Marcelo Crivella. O Jornal Nacional apurou que o prefeito já usou esse número. A equipe de reportagem ligou, mas ninguém atendeu.

“O prefeito, ele acompanha no grupo os relatórios e tem vezes que ele escreve lá: ‘Parabéns! Isso aí!’”, contou à TV Globo um dos participantes dos grupos.


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