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Espionagem: O caso Pegasus

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Espionagem: O caso Pegasus

Como operam a NSO e seu software espião. Com vínculos estreitos com o serviço secreto Mossad, empresa israelense escancarou mercado privado de vigilância e pode estar controlando até governos que adquiriram o programa.

A geopolítica do Pegasus, vendido a diversos países para espionar jornalistas, lideranças políticas e ativistas de Direitos Humanos.

No mês de julho de 2021 estourou na internet e nos conglomerados de comunicação outro escândalo envolvendo a indústria da espionagem eletrônica, mais especificamente a de origem israelense. 

O programa espião Pegasus, um produto “vendido” para clientes da empresa NSO, outro dentre vários grupos empresariais cujos fundadores são veteranos operadores militares do apartheid colonial sionista. Esta empresa teria sido comprada – ou passada para o controle – em 2019 para o fundo de investimentos e capital especulativo Novalpina, empresa baseada na city londrina, uma das capitais financeiras do mundo ocidentalizado.

Antes, em 2014, a mesma empresa israelense teve seu controle passado para outro grupo de especuladores, o fundo estadunidense Francisco Partners. Ou seja, além de violar a privacidade de cerca de 50 mil jornalistas e defensores de direitos humanos, e ser suspeita de haver espionado o telefone do presidente francês Emmanuel Macron e outros 13 líderes, o grupo israelense entra na ciranda de fusões e aquisições, típicas de operações de “hedge funds”, características da era do capital fictício e improdutivo.

Dentro da lógica das relações de forças dos serviços de inteligência, uma empresa “britânica” está dentro do chamado Sistema Cinco Olhos. Trata-se da união entre os países anglo-saxões (EUA, Canadá, Grã Bretanha, Austrália e Nova Zelândia), patrocinada pela superpotência. Se o conglomerado “inglês” tem origem em empresa israelense e comuta segredos industriais com o país onde nasceu a “empresa”, em última instância, trata-se do mesmo campo de alianças que deu sustentação aos invasores europeus que promoveram a limpeza étnica da Palestina a partir do Mandato Britânico (1920-1948).

Violação de soberania e de privacidade

Segundo a BBC, a NSO Group teria vendido seus programas espiões para o governo e agências mexicanas investigar jornalistas, advogados defensores de direitos humanos e ativistas anticorrupção. Isso apenas durante os desastrosos seis anos de mandato de Enrique Peña Nieto (01/12/ 2012 a 30/11/2018). 

Segundo a mesma publicação, outro espionado foi o engenheiro e defensor de direitos humanos Ahmed Mansoor, opositor ao príncipe dos Emirados e condenado em 2011 a uma sentença de dez anos por ofensas aos monarcas absolutistas aliados da entidade sionista. Como se não bastasse, a inteligência saudita também teria aplicado um software espião da NSO para vigiar o jornalista opositor Jamal Khashoggi, assassinado em outubro de 2018 no consulado da Arábia Saudita em Istambul (Turquia) e cujo corpo teria sido retalhado e dissolvido em ácido.

Segundo a NSO, a empresa israelense controlada por capital anglo-saxão não deveria ser responsável pelos “maus usos” dos seus softwares de espionagem. Dois mitos são usados pelo grupo de espionagem privada para alegar a “legitimidade” da comercialização de um produto que pode invadir e hackear telefones, redes sociais, domínios, pegadas digitais e contas cibernéticas de quase todas as pessoas no planeta, incluindo autoridades. Um mito é o do “livre mercado”, pois se há demanda e a oferta dá conta, logo há negócio. Pura balela, pois todo “conhecimento sensível” é controlado pelas autoridades do país de origem. Logo, só há venda deste produto com o aval explícito, ou ao menos a autorização implícita, do serviço de inteligência dos colonialistas (o Mossad).

O segundo mito está diretamente vinculado ao primeiro. Como se não houvesse direito a privacidade e o “nível moral dos empresários israelenses” estivesse acima das sociedades, os espiões privados afirmam que “só criminosos devem temer o Pegasus” O cinismo do CEO do grupo NOS afirma que:

“Questionado sobre possíveis abusos na utilização da ferramenta, que não estaria rastreando apenas agentes fora da lei, ele contou que o NSO tem meios de frear o programa. Ao detectar o uso indevido do recurso, a companhia cita que pode acionar um interruptor, desativando o software espião.”
Ou seja, o conglomerado econômico viola a soberania dos países que compram o seu sistema. Não somente podem fazer como afirmam fazê-lo. Como já dito acima, os limites concretos entre interesses “econômicos, estratégicos e de política externa” são ínfimos, não é exagero afirmar que a NSO pode atuar de forma indireta a mando do governo de Israel. Qualquer semelhança com as denúncias de Edward Snowden sobre a estrutura mundial de espionagem eletrônica não é nenhuma coincidência.

Considerando que os clientes únicos da NSO são governos ou instituições de repressão ou coercitivas, logo, é uma relação oficiosa entre a empresa e Estados, sob o aval do governo central de Israel e dos demais acionistas do grupo.

Como opera o Pegasus?

Segundo matéria publicada em O Globo (19 e 20/07/2021) o software espião realiza o seguinte procedimento:

“Após infectar iPhones e celulares Android, o Pegasus permite que seus operadores secretamente exportem dados do usuário (e-mails, mensagens, fotos, histórico de navegação, senhas, etc.) para páginas da internet criadas pela NSO, que são constantemente renovadas para evitar detecção. Essa transmissão de informações passa totalmente despercebida pelo usuário e é muito difícil encontrar qualquer prova dessa espionagem nos celulares Android. O Pegasus também possibilita que seus operadores escutem chamadas do usuário, ativem microfones e câmeras do celular e acompanhem seu GPS sempre”.

Um de seus ex-funcionários que denunciou a relação entre CIA e Mossad com o grupo NSO é o ex-embaixador da França nos EUA, Gérard Araud. Além de confirmar que a exportação do software espião obedece ao mesmo procedimento de venda de armas, Araud também coloca a presença de “consultores” israelenses e dos Estados Unidos, eventualmente “implicando em monitorar a implantação do Pegasus e dos dados coletados”.

A espionagem cibernética privada deveria ser crime internacional

Infelizmente nada disso é novidade para quem estuda o tema e conhece um pouco do Sistema Internacional em sua dimensão realista. Até a produtora de conteúdo Netflix oferece uma lição bem didática da espionagem eletrônica oficial com sua série que se passa na estação de vigilância eletrônica binacional (EUA e Austrália), localizada em Pine Gap, sertão australiano. Na obra de “ficção”, para além das tramas de relacionamentos, observamos o monitoramento de sinais eletrônicos 24 horas, operando para a Agência de Segurança Nacional estadunidense (nsa.gov).

O vale tudo das empresas de espionagem levou a Anistia Internacional a demandar uma moratória internacional destes produtos, até que a ONU constitua um marco regulatório ao menos destas operações comerciais. As transações de softwares espiões são tão danosas como o narcotráfico, o tráfico de armas, de animais silvestres, de seres humanos e de órgãos e deveria estar enquadrado dentro das cadeias de valor do crime internacional. Os países que produzem ou autorizam este tipo de comércio são tão cúmplices como os Estados que controlam ou ajudam a administrar as grandes plantações para insumos fundamentais de drogas ilícitas, como o ópio e a cocaína. Não há diferença substantiva no campo moral, com exceção de que empresas como a NSO produzem algo sofisticado e o narcotráfico opera com uma cadeia de valor simples e com emprego de mão de obra empobrecida e desesperada.

Além da companhia citada, outras como Intellexa Ltd., AnyVision Interactive Technologies Ltd., Black Cube ou a antiga Circles Technologies atuam no “mesmo mercado”. Seus fundadores costumam ser veteranos do braço repressivo do apartheid (Mossad, Shabak, Unidade 8200, dentre outras estruturas militares) e fazem da Palestina Ocupada seu campo de provas e laboratório. O caso Pegasus/NSO evidencia que a economia de guerra da entidade sionista gera um dano para todo o planeta.



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